Grupo de Leitura: "Uma Ecologia Decolonial" de Malcom Ferndinand
Grupo de estudos do livro "Uma Ecologia Decolonial" de Malcom Ferndinand.


Início e local
14 de abr. de 2026, 08:00
Zoom
Sobre o convite
“As demandas antirracistas e ecológicas devem ser pensadas como uma só: a luta por uma maneira justa de habitar a Terra.” Malcom Ferdinand

Há uma separação que nos enfraquece. De um lado, os movimentos ecológicos que defendem florestas e rios, mas muitas vezes ignoram as populações historicamente tratadas como recurso a ser explorado. De outro, os movimentos antirracistas e decoloniais que resistem às violências sociais, mas nem sempre incorporam a dimensão ecológica em sua luta. Malcom Ferdinand chama isso de “dupla fratura colonial e ambiental da modernidade” — que nos impede de encontrar caminhos à altura das crises que vivemos.
Que ecologia é essa que protege florestas mas se silencia sobre as pessoas transformadas em recurso? Que ambientalismo fala em salvar o planeta, mas ignora quem a história já condenou?
O mesmo pensamento que justificou a escravização de corpos humanos é o que autoriza a exploração da natureza. Ferdinand recorre a uma imagem central: o navio negreiro como origem da modernidade — onde alguns viajavam no convés, com proteção e perspectiva, enquanto outros eram mantidos no porão, explorados para manter o sistema. Essa arquitetura, para o autor, não ficou no passado: é a estrutura do mundo em que ainda vivemos. Um navio-mundo, que hoje passa pela tempestade das múltiplas crises da atualidade.
O convite
Em Uma Ecologia Decolonial, partindo dos territórios do Caribe — com seus modos de vida crioulos, marronagens e aquilombamentos —, Ferdinand nos oferece ferramentas para costurar essa fratura e propõe uma ecologia do encontro, da aliança, da justiça. Uma ecologia que convoque toda diversidade de formas de vida, humana e mais-que-humana, a subir do porão da modernidade colonial, para compormos juntos um mundo comum em que todas possam habitar.
Este é um convite para estudarmos juntos essa obra robusta e necessária — e para imaginarmos, a partir dela, outras maneiras de habitar a Terra.
“Ferdinand solicita não apenas que reconheçamos o papel que o racismo desempenha na definição de quem está mais vulnerável à poluição ambiental — mas, sobretudo, como o colonialismo e a escravidão ajudaram a construir um mundo fundamentado na destruição ambiental.” Angela Davis
![Joseph Mallord William Turner, Slavers Throwing Overboard the Dead and Dying, Typhoon Coming On [Escravistas lançando mortos e moribundos ao mar, tufão chegando], 1840. © Museum of Fine Arts, Boston.](https://static.wixstatic.com/media/62c487_3cdf0d1c877e413fb01107840c308363~mv2.jpg/v1/fill/w_147,h_110,al_c,q_80,usm_0.66_1.00_0.01,blur_2,enc_auto/62c487_3cdf0d1c877e413fb01107840c308363~mv2.jpg)
Formato dos encontros
Faremos a leitura do livro coletivamente durante cada encontro, costurando momentos de pausa e reflexão coletiva.
Não é necessária leitura prévia, nem a posse do livro. Mesmo assim, recomendamos que os participantes tenham acesso ao livro para poderem aprofundar os estudos entre os encontros.
O grupo de leitura será facilitado por Luiz Gabriel, educador e diretor da Escola Schumacher Brasil.
Por que ler em comunidade?
Mais do que um grupo de leitura, este será um espaço de estudo e transformação em comunidade. Juntos refletiremos como as provocações do livro podem reverberar em nossas experiências pessoais.
A pedagogia Schumacher facilita essa aprendizagem experiencial e em comunidade, ajudando as reflexões inspiradas por Satish Kumar a encontrar terreno fértil no grupo e germinar em transformações concretas em nosso modo de habitar o mundo.
Sobre o autor

Malcom Ferdinand nasceu na Martinica em 1985. Com graduação em engenharia ambiental pela University College London (UCL) e doutorado em filosofia política e ciência política pela Université Paris Diderot, Ferdinand costura a fratura que seu livro evidencia — transitando entre o pensamento ecológico e a crítica decolonial com igual rigor e comprometimento.
Pesquisador do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS), atua no Institut de Recherche Interdisciplinaire en Sciences Sociales da Université Paris Dauphine-PSL.
Caribenho, Ferdinand escreve a partir de um lugar que a modernidade colonial colocou no centro de suas contradições: o Caribe foi palco da escravização em massa, da exploração colonial da terra e, ao mesmo tempo, de formas extraordinárias de resistência e reinvenção de formas de viver. É dessa experiência situada que nasce Uma Ecologia Decolonial — obra que recebeu o Prix du Livre de la Fondation de l’Écologie Politique em 2019 e chega ao Brasil pela Ubu Editora com prefácio de Angela Davis e posfácio do antropólogo Guilherme Moura Fagundes.
Sobre o facilitador

Com graduação e mestrado em engenharia ambiental pela UFSC, Luiz dedica-se à educação ambiental desde 2010, com experiência em projetos em escolas, comunidades, e na formação de professores. Após morar na Schumacher College em 2013, participou dos movimentos de criação da Escola Schumacher Brasil, estando envolvido em suas atividades desde o início como professor e, hoje atuando como diretor associado. Dedica-se também à dança, sendo bailarino da Grão Cia de Dança desde 2014, e integrando a arte transversalmente em sua prática pedagógica.
Data e horário dos encontros
Nossos encontros convidarão um ritmo de começar o dia com leitura - o que tem sido uma prática muito proveitosa para nós.
Serão 8 encontros online por Zoom:
Terças-feiras, das 8h às 9h.
De 14 de abril a 9 de junho. *com exceção no dia 21 de abril, feriado de Tiradentes
As sessões serão gravadas e compartilhadas com os participantes semanalmente.
Contribuição financeira
Somos uma associação sem fins lucrativos, e todas nossas atividades são sustentadas pela contribuição dos participantes nos cursos. Para este programa oferecemos quatro possibilidades de valor, apresentadas mais abaixo.
Se você precisar solicitar uma bolsa integral para participar, clique neste link e envie o formulário que consideraremos a possibilidade e daremos um retorno.
OBS: a turma será confirmada com um mínimo de 20 participantes, caso não haja essa quantidade até 10 de janeiro, o início do programa poderá ser adiado. Agradecemos a Bambual Editora pelas imagens do livro.
Inscrições
Contribuição mínima
Valor mínimo para participação, que nos permite cobrir os custos de realização do programa.
R$ 200,00
+ R$ 5,00 de taxa de serviço de ingresso
Contribuição suporte
Além de cobrir os custos de realização do curso, viabiliza a oferta de uma bolsa parcial.
R$ 280,00
+ R$ 7,00 de taxa de serviço de ingresso
Contribuição generosa
Além de cobrir os custos de realização do curso, viabiliza a oferta de uma bolsa integral.
R$ 400,00
+ R$ 10,00 de taxa de serviço de ingresso
Bolsa parcial
Se você não puder contribuir com o valor mínimo, poderá optar pela bolsa parcial, pagando apenas o valor acima. Há um número limitado de bolsas, portanto só escolha essa opção se realmente tiver essa necessidade.
R$+Taxa de serviço de ingresso
Total
R$ 0,00
